terça-feira, 26 de abril de 2011

Oração e Resistência

Dia desses, recebi um email da newsletter (ou seja lá qual for o nome) da Bacia das Almas. No tal email, vinha a carta de uma teóloga italiana chamada Adriana Zarri (1919-2010), onde ela explicava aos seus amigos a sua decisão de adotar a vida de eremita. Mas não é isso que quero abordar aqui. Na carta, Adriana fala acerca do caráter funções da oração, a oração enquanto resistência.


Adriana começa falando que a oração pode, num primeiro momento, parecer algo alienante, que “nos afasta da vida do mundo”. Porém para ela, “a oração se nutre de solidão, não de isolamento, e o silêncio contemplativo é denso de palavras e de presenças”.


O mundo que nos cerca hoje, segundo a teóloga, é um mundo essencialmente utilitarista. Entretanto, não vemos essa análise somente nas palavras dela. Isso também parte de diversos teóricos, como Jaques Ellul e sua análise da técnica, Erich Fromm e seus trabalhos do “ser X ter”, além de muitos outros que criticam o pragmatismo incessante em busca da produção, do lucro, do consumo, ou seja lá como queiram nomear esse pragmatismo predominante na sociedade atual. Segundo Adriana, esse modelo utilitarista é “privado daqueles espaços de fantasia, de poesia e de gratuidade sob os quais se insere precisamente a oração”.


A oração, é um espaço no qual, além do ato de falar com Deus, existe também o ato de falar consigo mesmo, onde aparece um espaço para a autoreflexão. É um momento em que, se a oração for realmente sincera e cheia de significados, pode-se chegar a conclusões próprias acerca de si mesmo, através da conversa com Deus. Conversa que pode e deve fluir livremente, na qual podemos e devemos falar tudo o que pensamos e sentimos, pois só Ele nos conhece de maneira perfeita e completa. Nada do que dissermos (ou do que escondermos) será novidade para Deus. Ele tudo sabe, e apenas quer que admitamos para nós mesmo, para que nos reconheçamos enquanto pecadores e falhos, mas isso enquanto um ato de amor, nunca de menosprezo ou humilhação.


Mas além disso, seguindo a lógica da Zarri, a oração também é um momento de resistência, de “entrar” no deserto, e cair em uma “contestação contemplativa”. Orar é aquietar-se, aprofundar-se, e conhecer mais a si próprio, conjuntamente com Deus.


Para quem quiser ler na íntegra a carta a qual me refiro, pode clicar aqui.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Provisão!

Mais um texto daqueles escritos para o tempo de Advento. Um pouco atrasado, mas sempre válido:


Seis dias trabalharás, mas ao sétimo dia descansarás: na aradura e na sega descansarás. (Êxodo 34.21)


PROVISÃO!


Essa música impactante que acabamos de ouvir, se chama “Carmina Burana”, e fala sobre a sorte e a fortuna. Durante muitos anos, ela foi considerada como uma música profana pela Igreja Católica. A letra dela, fala sobre a roda da sorte, de como o ser humano está algumas vezes por cima, outras horas na desgraça, e tudo por conta da busca ao dinheiro, à fortuna. Estudiosos presumem que a música seja do século 13, e ela já mostra a incessante preocupação humana atrás de riquezas.

O filósofo e economista alemão Karl Marx, nos idos do século 18, falava que o trabalho enquanto busca pelo dinheiro, aliena o homem de si mesmo. Na seqüência dele, vários outros estudiosos e intelectuais disseram o mesmo. E junto a eles, vários estudiosos do cristianismo, tanto teólogos quanto leigos, afirmaram algo parecido.

Entretanto, nenhum deles disse novidade alguma! Jesus Cristo já falava no Evangelho de Lucas 16:13, “Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”.

Oras, o que é então a tal da alienação? E o que ela tem a ver com a palavra dita por Cristo?

Alienação, segundo o dicionário significa “o ato de tornar-se alheio”. E quando os teólogos dizem que o homem se aliena da sua humanidade, eles querem dizer que o ser humano torna-se alheio de si mesmo e do próximo, e através disso, aliena-se também de Deus. E Jesus, ao falar que não se pode servir a dois senhores, quer dizer que se servirmos a outro senhor que não seja Deus, estamos nos submetendo a qualquer outra coisa que não a verdadeira liberdade, estamos tendo uma vida idólatra. Viver em Cristo é a única maneira de vivermos a nossa humanidade ao máximo, com todo o seu potencial. Através dEle e da libertação proporcionada na Cruz é que podemos nos considerar seres humanos plenos.

E Jesus, conhecedor absoluto da alma humana, refere-se diretamente a Mamom, que é uma forma hebraica de dizer “riquezas”. No versículo 14 do mesmo capítulo do Evangelho de Lucas, nos é contado que os fariseus eram avarentos, e o Filho de Deus sabia exatamente onde estava tocando no coração de cada um. Ele sabia que o dinheiro, que o acúmulo, a ganância, pode tornar-se uma obsessão na vida da pessoa, levando-a a desprezar e subjugar a liberdade do próximo.

Porém, esse pensamento não é visto pela primeira vez na Bíblia nestas palavras de Jesus, isso já é uma constante na história do povo judeu. Quando este é liberto do Egito e guiado por Moisés no deserto, eles recebem o maná do céu. Ao povo, é dada a ordem de que ajunte para si somente o suficiente para um dia, que não acumulasse para o próximo. Se o maná fosse acumulado, ele amanheceria podre no dia seguinte. Essa regra só não era válida quando era o dia do descanso, instituído por Deus no versículo de hoje.

O povo hebreu era escravo no Egito. Em termos sociológicos, a escravidão apresenta o auge da alienação ao trabalho, pois do fruto do seu próprio esforço, o escravo nada aproveita. Aos hebreus, o dia de descanso era uma ordem, para que se lembrassem dos seus tempos de escravidão, nos quais provavelmente não tinham descanso algum. Além de não deverem trabalhar, não poderiam nem mesmo fazer com que alguém trabalhasse para eles. O dia deveria ser totalmente devotado a Deus, e não dedicado a qualquer tipo de preocupação em ganhar ou acumular riquezas.

Esses fatos refletem em muitos aspectos ainda muito presentes no nosso mundo contemporâneo, e ecoam em vários dos ensinamentos de Cristo. Quando é dito ao povo que não acumule o alimento, pois é certo que ele cairá no dia seguinte, é o mesmo que quando Jesus nos manda olharmos os lírios do campo e os pardais, que são vestidos e alimentados pela graça do Senhor. Deus está conosco, ao nosso lado, e promete nos prover o que precisamos, e não precisamos tentar depender de nós mesmos, de nosso trabalho, de nosso esforço. Foi assim com o povo no deserto, com o povo de Deus, do qual hoje fazemos parte.

Não quero aqui falar da questão do Natal ter se tornado uma data materialista e comercial, esse assunto já está sendo falado e debatido em grande parte das igrejas e afins. O importante é pensar nas prioridades nas nossas vidas. Servir a Deus ou buscar as riquezas? Cristo deixou bem claro que ambas as coisas são impossíveis coexistirem.

Num momento de reflexão como esse, devemos ter em mente as palavras de Jesus no Evangelho de Mateus 6:19-21: “Não ajunteis para vós tesouros sobre a terra, onde traça e ferrugem corroem e onde os ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

Nesse tempo de advento, além da esperança, é tempo de pensar na provisão que Deus nos dá, não só material mas também espiritual. E, estando certos dessa provisão, podemos nos preocupar com o que realmente deve ser importante para nós: o Reino de Deus. E isso, é promessa, conforme lemos em Mateus 6:33 “Buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas”.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Antes tarde do que nunca

Lembram do Pr. Piragine e seu discurso, que inclusive foi comentado aqui nesse blog?

Pois então, a Aliança de Batistas do Brasil respondeu a essa fanfarronice. Pena que eu encontrei essa resposta somente agora. Entretanto, para não deixar passar em branco, publico aqui mesmo assim. Ela segue integral abaixo, e os grifos, para auxiliar na leitura das pessoas sem paciência para tanto texto, são meus:


"ELEIÇÕES 2010: PRONUNCIAMENTO DA ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL

A Aliança de Batistas do Brasil vem, por meio deste documento, reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania. A paixão pela liberdade faz com que, como batistas, sejamos um povo marcado pela pluralidade teológica, eclesiológica e ideológica, sem prejuízo de nossa identidade. Dessa forma, ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.

Em nome da liberdade e da pluralidade batistas, portanto, a Aliança de Batistas do Brasil torna pública sua repulsa a toda estratégia político-religiosa de “demonização do Partido dos Trabalhadores do Brasil” (doravante PT). Nesse sentido, a intenção do presente documento é deixar claro à sociedade brasileira duas coisas: (1) mostrar que tais discursos de demonização do PT não representam o que se poderia conceber como o pensamento dos batistas brasileiros, mas somente um posicionamento muito pontual e situado; (2) e tornar notório que, como batistas brasileiros, as ideias aqui defendidas são tão batistas quanto as que estão sendo relativizadas.

1. A Aliança de Batistas do Brasil é uma entidade ecumênica e dedicada, entre outras tarefas, ao diálogo constante com irmãos e irmãs de outras tradições cristãs e religiosas. Compreendemos que tal posicionamento não fere nossa identidade.

Do contrário, reafirma-a enquanto membro do Corpo de Cristo, misteriosamente Uno e Diverso. Assim, consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil.

Vigoraria aí o princípio apontado por Rubem Alves (1987, p. 27-28) de que “em tempos difíceis os inimigos fazem as pazes”? Com o exposto, desejamos fazer notória a separação entre os interesses ideológicos de tais coalizões e os valores radicados no Evangelho. Por não representarem a prática cotidiana de grande fração de pastores e igrejas batistas brasileiras, tais coalizões deixam claro sua intenção e seu fundo ideológico, porém, bem pouco evangélico. Logrado o êxito buscado, as igrejas e os pastores batistas comprometidos com as coalizões “antipetistas” dariam continuidade à prática ecumênica e ao diálogo fraterno com a Igreja Católica, assim como com as demais denominações evangélicas e tradições religiosas brasileiras? Ou logrado o êxito perseguido, tais igrejas e pastores retornariam à postura de gueto e proselitismo que lhes marcam histórica e tradicionalmente?

2. Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniquidade”. Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?).

Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós.

Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição. Estranhamos que tais discursos não considerem nossos códigos penal e tributário como iniquidades institucionalizadas. Os exemplos de como a iniquidade está radicalmente institucionalizada entre nós são tantos que seriam extenuantes. Certamente para quem se domesticou a ver nas injustiças sociais de nosso Brasil um fato “natural”, ou mesmo como a “vontade de Deus”, nada do mencionado antes parece ser iníquo. Infelizmente!

3. Como entidade identificada com o rigor da crítica e da autocrítica, desejamos expressar nosso descontentamento com a manipulação de imagens e de informações retalhadas, organizadas como apelo emocional e ideológico que mais falseia a realidade do que a apreende ou a esclarece. Textos, vídeos, e outros recursos de comunicação de massa, devem ser criteriosamente avaliados. Os discursos difamatórios tais como os que se dirigem agora contra o PT quase sempre se caracterizam por exemplos isolados recortados da realidade.

Quase sempre, tais exemplos não são representativos da totalidade dos grupos e das ideologias envolvidas. Dito de forma simples: uma das armas prediletas da difamação é a manipulação, que se dá quase sempre pelo uso de falas e declarações retiradas do contexto maior de onde foram emitidas. Em lugar de estratégias como essas, que consideramos como atentados à ética e à inteligência das pessoas, gostaríamos de instigar aos pastores, igrejas, demais grupos eclesiásticos e civis, o debate franco e aberto, marcado pelo respeito e pela honestidade, mesmo que resultem em divergências de pensamento entre os participantes.

4. A Aliança de Batistas de Brasil é uma entidade identificada com a promoção e a defesa da vida para toda a sociedade humana e para o planeta. Mas consideramos também que é um perigo quando o discurso de defesa da vida toma carona em rancores de ordem política e ideológica.

Consideramos, além disso, como uma conquista inegociável a laicidade de nosso estado. Por isso, desconfiamos de todo discurso e de todo projeto que visa (re)unir certas visões religiosas com as leis que regem nossa sociedade. A laicidade do estado, enquanto conquista histórica, deve permanecer como meio de evitar que certas influências religiosas usurpem o privilégio perante o estado, e promova assim a segregação de confissões religiosas diferentes. É mister recordar uma afirmação de um dos grandes referenciais teológicos entre os batistas brasileiros, atualmente esquecido: “Os batistas crêem na liberdade religiosa para si próprios. Mas eles crêem também na igualdade de todos os homens. Para eles, isso não é um direito; é uma paixão. Embora não tenhamos nenhuma simpatia pelo ateísmo, agnosticismo ou materialismo, nós defendemos a liberdade do ateu, do agnóstico e do materialista em suas convicções religiosas ou não-religiosas” (E. E. Mullins, citado por W. Shurden).

Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo. Não reza a maior parte das Histórias Eclesiásticas a convicção de que a derrota do Cristianismo consistiu justamente em seu irmanamento com o Império Romano? Impor a influência de nossa fé por meio das leis do Estado não é afirmar a fraqueza e a insuficiência do Evangelho como “poder de Deus para a salvação de todo o que crê”? No mais, em regimes democráticos como o Estado brasileiro, existem mecanismos de participação política e popular cuja finalidade é a construção de uma estrutura governamental cada vez mais participativa. Foi-se o tempo em que nossa participação política estava confinada à representatividade daqueles em quem votamos.

5. A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social. Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do Estado; na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes; nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; nas propostas e lutas em favor da Reforma Agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria.

Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicado. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc. É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”.

Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púlpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.

Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.

Maceió, 10 de setembro de 2010.

Pastora Odja Barros Santos - Presidente
Pastores/as batistas membros da Aliança
Pr. Joel Zeferino _ Igreja Batista Nazaré – Salvador-BA
Pr. Wellington Santos – Igreja Batista do Pinheiro – Maceió-AL
Pr. Paulo César – Igreja Batista Bultrins – Olinda –PE
Pr. Paulo Nascimento – Igreja Batista da Forene – Maceió-AL
Pr. Reginaldo José da Silva – Igreja Batista da Cidade evangélica dos órfãos – Bonança-PE
Pr. Waldir Martins Barbosa – Ig. Batista Esperança
Pr. Silvan dos Santos – Igreja Batista Pinheiros – São Lourenço da Mata- PE
Pr. Marcos Monteiro – Comunidade de Jesus – Feira de Santana – BA
Pr. João Carlos Silva de Araujo - Primeira Igreja Batista do Recreio
Pra. Marinilza dos Santos - Igreja Batista Pinheiros – São Lourenço da Mata- PE
Pr. Adriano Trajano – Chã Preta – AL
Pr. Pedro Virgilio da Silva Filho - Serrinha BA
Pr. Gilmar de Araújo Duarte - PIB Brás de Pina – RJ
Pr. Alessandro Rodrigues Rocha - SIB Petrópolis, Petrópolis RJ
Pr. Nilo Tavares Silva - Igreja:Batista em Praça do Carmo, Rio de Janeiro RJ
Pr.Luis Nascimento - Princeton, NJ – USA
Pr.Raimundo Barreto – USA"



Fonte:

http://www.koinonia.org.br/tpdigital/detalhes.asp?cod_artigo=421&cod_boletim=23&tipo=Artigos em 28/01/2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Para não pensarem que desisti!

Deixo com vocês um trecho do livro Christian Anarchy, de Vernard Eller:

"'Existe, então, uma política cristã de paz válida?'
Essa pergunta é feita de maneira errada, então deve ser respondida com um não. Lembremos o quão inflexível Barth foi ao se colocar contrário a qualquer programa ou partido que levasse o adjetivo 'cristão', ou 'religioso', e que tentasse usar esse adjetivo como uma recomendação de sua verdade e superioridade. Programas políticos cristãos são tão impossíveis quanto fórmulas matemáticas cristãs ou receitas de bolo cristãs.
Vamos tentar de novo: 'Existe, então, uma política de paz válida, da qual cristãos possam participar conscientemente?'
Com certeza! Não há nem mesmo motivos para negar que pode ser a teologia cristã da paz que o leve a participar de algum esforço político. Porém, enquanto engajado neste esforço, o cristão é obrigado a participar como um simples cidadão (uma entidade política), não tomar posições enquanto cristão. Toda proposta feita precisa ser justificada no plano político, humanamente possível de se alcançar por meios particularmente humanos – não no plano de que Deus ordena e promete que fará. É a mesma coisa que um cristão que seja físico, mas ele mantém suas teorias físicas dentro dos limites humanos e não tenta melhorá-las recorrendo aos milagres de Deus. Os limites dos discurso devem ser respeitados: enquanto estiver fazendo teologia, deve-se falar de Deus; quando se fizer política, não se deve falar de Deus."

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Companheirismo!

Texto feito para o culto noturno de advento do dia 06/12:

Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. (2 Timóteo 3.14)


Esse versículo foi escrito por Paulo para Timóteo, em sua segunda carta para ele. Segundo alguns estudiosos da Bíblia, essa é uma das últimas cartas de Paulo que constam na Bíblia, ou seja, ele estava “em fim de carreira”, parafraseando o próprio apóstolo. Além disso, quando escreveu, Paulo estava enfrentado a prisão em Roma pela segunda vez.
Conforme podemos ver em alguns trechos desta e da primeira epístola, Paulo tinha a Timóteo como um “amado filho”, demonstrando que Timóteo foi um grande amigo e seguidor dos passos de Paulo. E por ele, o apóstolo nutre grande carinho e demonstra preocupação.
Nessa época, Timóteo havia ficado na cidade de Éfeso, com o intuito de corrigir “certas pessoas” que estavam promovendo alguns erros doutrinários (cf. 1 Timóteo 1:3), uma tarefa que talvez pudesse ser pesada para um jovem como ele. E, além disso, Paulo adverte-o constantemente que tempos trabalhosos virão pela frente.
Devemos entender que a frase de Paulo, demonstra que tempos difíceis estavam também acontecendo, conforme os versículos anteriores. O apóstolo fala de perseguições, enganações, e de como os “homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados”. Timóteo, porém, deveria permanecer firme naquilo que sabia, sabendo de onde vinha esse saber. Quanta coragem de Paulo! Mesmo sendo perseguido, estando preso pela segunda vez pelo seu próprio império, ainda assim ele exorta Timóteo a permanecer em tudo o que havia aprendido, e lembrando-se sempre de onde o havia aprendido. Timóteo devia ser firme, andar reto nos caminhos do Senhor. E o que, em resumo, Paulo quer dizer a Timóteo, pode ser encontrado em 2 Tm 4:5: “Cumpre o teu ministério”.
A relação de carinho que Paulo tem para com Timóteo, pode servir a nós como exemplo, da relação que Deus quer ter conosco. Deus nos ama, mas quer que cumpramos o nosso ministério, pois todos temos um sacerdócio próprio para cumprir, seja na igreja, no trabalho ou em casa. E para tal, Deus nos chama para que permanecermos naquilo que temos aprendido, sabendo de onde o aprendemos, estando conscientes e firmes, para não nos perdermos no caminho.
Entretanto, quantas vezes nos deixamos desanimar para com as adversidades, com as perseguições. Quantas vezes nos esquecemos de o que Jesus passou, do grande exemplo que temos, e mesmo assim nos queixamos e agimos como se “o mundo fosse acabar”.
Entretanto, olhemos para Paulo. Lá está ele preso, com a perspectiva de ser morto, longe de todas e todos, mas mesmo assim, ele insiste para que Timóteo não esmoreça, que siga adiante em seu caminho, sempre debaixo da sabedoria do Senhor.
É como a história das pegadas na areia. Quantas vezes caminhamos lado a lado com Deus, e, ao olhar para trás na nossa vida, vemos sempre dois pares de pegadas que ficaram pelo caminho. Porém, há momentos em que olhamos para trás e vemos apenas um par de pegadas. Reclamamos e questionamos “onde estava Deus?” É quando Ele nos mostra que só há um par porque estávamos sendo carregados por Ele.
E Paulo, foi carregado por Deus em muitos momentos da sua vida, e sabia que o Senhor sempre estaria pronto para ajudá-lo em qualquer momento. E foi isso que ele também quis passar para Timóteo nessa carta, que devemos ter confiança em Deus.
E para nós, podemos entender que Paulo, além de tudo isso já dito, também quis demonstrar que devemos estar sempre prontos para ser um apoio para os nossos irmãos e irmãs, seja qual for a nossa situação. E isso, não porque devemos ser super-homens, ou sobre-humanos, mas sim por conta do apoio que temos de Deus e daquilo que temos aprendido dEle, que pode nos dar a base e a força para ajudarmos uns aos outros enquanto comunidade, sempre encorajando-se mutuamente, e nutrindo uns aos outros com a esperança de Cristo ressuscitado na cruz.
Esperança essa, que é a marca do advento, que é o motivo de toda essa espera que nos propomos simbolicamente ano após ano. Devemos nos espelhar em Paulo, quando em frente a todas as adversidades, recomendava a perseverança, e mostrava a confiança que tinha em Deus. Devemos nos espelhar em Timóteo, que ouvia os conselhos daqueles que lhe queriam bem. E acima de tudo, devemos ter em mente o objetivo do advento: esperar em Jesus Cristo, que vem para reinar, com aqueles que permaneceram no que Ele ensinou!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Breve pausa para o "mundano"








Agora, voltaremos com a programação normal...



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Coragem!

Texto feito para o culto noturno de advento do dia 01/12:

Naquele dia abrir-se-á a tua boca para com aquele que escapar, e falarás, e não mais ficarás mudo; assim virás a ser para eles um sinal, e saberão que eu sou o SENHOR. (Ezequiel 24.27)


CORAGEM!


Ezequiel foi profeta quando o povo de Israel estava na Babilônia entre os anos 293 e 571 a.C. De fato, a atividade profética de Ezequiel aconteceu em plena fase que antecedeu a destruição de Jerusalém, e enquanto o povo hebreu estava no período de cativeiro na Babilônia. Ele viveu entre os exilados, suas profecias eram feitas entre as pessoas deportadas para as terras estranhas da Babilônia, pessoas que estavam longe de seus lares, de sua terra. A comunidade na qual o profeta vivia, era refém de um pensamento que estava atrelado ao passado, eles acreditavam que em breve tudo voltaria a ser como antes. Porém, ele sabia que esse passado não era mais possível, e muita coisa teria de ser reconstruída em meio ao povo.

Ou seja, Ezequiel não trazia boas notícias, para um pessoal que já não se encontrava em boas condições. E ele tinha que falar. Como podemos ver no versículo, (“e falarás”) essa era uma ordem direta de Deus! E como a maioria dos profetas, Ezequiel era marcado por uma característica: coragem.

Entretanto, como de qualquer profeta, a coragem de Ezequiel não vinha dele mesmo, da sua criação, ou do seu caráter. Pelo contrário, vemos que muitos dos profetas têm medo de falar, não se acham capazes, têm receio da reação das pessoas... Porém, Deus lhes dá a Sua coragem. O próprio nome de Ezequiel é testemunho disso, significa “Deus fortalecerá”. Mas aqui, quando usamos a palavra coragem, não é a bravura, os grandes feitos, dos heróis de cinema ou de contos de fada.

Não, aqui a coragem é outra. É a coragem de abrir mão de si, de deixarmos nossas vontades e desejos de lado, nossa humanidade, e nos colocarmos inteiramente nas mãos de Deus, dentro dos Seus desígnios. Quando o Senhor diz a Ezequiel que ele Lhe servirá de sinal, isso é entregar-se nas mãos de Deus, se dispor a ser usado total e completamente por Deus. Uma pessoa que está comprometida com qualquer outra coisa, antes de estar comprometida com Deus, dificilmente consegue ser um sinal, pois em algum momento, tomado pelo medo (ou pela falta de coragem), vacilará.

E o tempo de advento, é um tempo de entregar-se a Deus, tempo de coragem. Por que coragem? Porque, em meio ao mundo em que vivemos, é necessário ter coragem para nos firmarmos enquanto cristãos, falarmos o que Deus nos manda falar, fazer o que Deus nos manda fazer, sermos um sinal, assim como Ezequiel foi. Ele teve de ser um diferencial dentro do lugar em que estava inserido.

Enquanto o povo lamentava a perda do que lhes era mais caro (a terra natal, o templo, a liberdade enquanto povo), Ezequiel perde a sua esposa, e mesmo assim Deus o ordena nos versículos 16 e 17 que “não lamentasse, nem chorasse, nem que lhe corressem as lágrimas. Que gemesse em silêncio e que não fizesse luto por mortos. Que amarrasse o turbante, calçasse seus sapatos, e que não fechasse seus lábios”. Mesmo depois da morte de sua mulher, Ezequiel deveria permanecer firme, ser forte e falar o que Deus lhe mandava. Ele devia ser um sinal, um exemplo. Ele deveria permanecer e aguardar no Senhor. Ezequiel também vivia um advento.

Assim é conosco hoje também. Parecemos perder tudo o que nos é caro. Além disso, estamos em um mundo tecnocrata, onde todas as falsas promessas de felicidade e garantia de futuro residem nas descobertas, na evolução da tecnologia, dominada pelo ceticismo e pelo individualismo. E, nesse mundo, estar em comunhão com outras pessoas, crendo e esperando a volta de Jesus, parece loucura, parece não fazer sentido. É entender, como Ezequiel queria dizer, que o passado não vai voltar, mas que em Deus temos um futuro novo e perfeito nos esperando, e a nós, cabe confiar e esperar, viver um advento. E para disso, devemos pedir a Deus por coragem

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um convite atrasado...

... mas ainda em tempo.


Em uma postagem anterior, escrevi sobre o livro “Caminhos de reconciliação: a mensagem da Bíblia”, de Enio R. Mueller, que é o primeiro título lançado pela Editora Grafar, de Joinville.

Pois bem, hoje, dia 27 de outubro, às 19h, na Livraria Midas (rua Dr. João Colin, 475), o autor do livro estará proferindo uma palestra no V Fórum de Pentecostalidade e Reforma, numa iniciativa da Faculdade Refidim do CEEDUC. O assunto abordado por Enio será conduzido em torno dos "Caminhos de Reconciliação".

Haverá espaço para autógrafos.


Estarei lá :)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O candidato está nu!

O Bacia das Almas, do Paulo Brabo, lançou a seguinte campanha, que ajudo a divulgar (para acessar as seções, basta clicar nas figuras):


Lá, você pode vestir o Serra:

Ou a Dilma:



Com a roupagem que lhe vier na telha, pois nas palavras do próprio Brabo: "vale canonizar e demonizar sem medo, visto que pastores, periódicos e blogueiros supostamente isentos fazem a mesma coisa".
Imprimam, recortem e divirtam-se!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Os políticos e a proteção da "Verdade"


Ontem, assisti a um debate entre políticos (que se diziam) luteranos, e que concorrem a certos cargos na eleição de 2010. Haviam candidatos a deputados estaduais, federais, um concorrente ao senado e mais um concorrente à vaga de vice-governador de Santa Catarina.

Até aí, tudo muito bom, tudo muito bem. Todos eles exaltaram uma “linhagem” luterana, alguns puxaram seus primos, tios e demais parentes que figuravam entre pastores e leigos dirigentes da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Alguns, ainda mais enfáticos, exaltaram sua herança cultural alemã. Até aí também, nada demais, já que o debate estava sendo realizado para uma platéia composta 99% por descendentes de alemães.

Após uma breve apresentação dos candidatos, onde cada um teve um tempo para falar sobre si, suas propostas, sua herança cultural e o que mais lhes aprouvesse, foi aberta uma rodada de perguntas. Depois de uma ou duas básicas (itens tais como educação e reforma tributária), veio a temida: a posição dos candidatos frente ao famoso Plano Nacional dos Direitos Humanos 3 (PNDH3), que trata de temas tais como o aborto e o cerceamento do direito de se pregar contra a homossexualidade.

Pois bem, o que desejo abordar aqui, não é a questão da validade do Plano, nem se esse pode realmente cercear alguma coisa ou não, mas sim o clamor que começou a ser levantado naquele local. Quando falado sobre o PNDH, logo as falas acerca da “proibição de pregação”, de “ter que reescrever a Bíblia” e outros disparates começaram. Até que um dos candidatos pegou o microfone e falou algo do tipo:

- Lá [lá onde, criatura?], quero ser sal e luz! Quero ser a diferença, quero proteger o Evangelho, proteger a verdade do Evangelho!

OPS!

Proteger o Evangelho? O Evangelho não precisa que nós seres humanos o protejamos. O Evangelho é vivo, ele apenas precisa ser proclamado, Kérigma! Além disso, proteger a verdade do Evangelho? Qual é a verdade que esse homem queria proteger? A que ele julga correta? A verdade que discrimina pessoas por conta de sua opção sexual? A verdade que serve para justificar a pretensão do homem branco-rico-heterossexual-ocidental-cristão?

Quando alguém se intitula como defensor do Evangelho, ainda mais um representante do Estado, incorre no risco de querer dar a César o que é de Deus... Como um certo pastor já citado no post anterior. Esses homens talvez queiram (e até podem tentar) proteger a verdade deles, a qual eles tem todo o direito de espalhar. Agora, colocar essa verdade como a verdade de Deus e do Evangelho, aí complica, pois sabemos que só há uma Verdade (Jo 14:6), e esta Verdade, não precisa de homens e mulheres para defendê-La, muito menos de vice-governadores, deputados, senadores, pois à essa Verdade, pertence o Reino, o Poder e a Glória para sempre.