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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Estado Laico?

Recebi do meu amigo Hugo pelo Facebook um convite para um evento, uma “Postagem coletiva em defesa do Estado Laico”, promovida pelo site dos Livres Pensadores.

Tudo muito bom, tudo muito bem, a princípio achei a idéia simpática, mas havia algo me incomodando. Estado Laico? Será mesmo? Não conseguia concordar integralmente... Será que eu estava inconscientemente me transformando em um fundamentalista? Por fim, me dei conta do que me incomodava: sim, eu sou contra o Estado Laico. Na bem da verdade, sou contra o Estado em si, seja ele Laico, Teocrático, como for.

Entretanto, trabalhando dentro do conceito atual de sociedade (como cristão é meu dever estar inserido dentro dela), tenho algumas considerações a fazer. Sou sim favorável ao Estado Laico. Porém, dentro do contexto de laicidade do Estado, existe também a liberdade de expressão e a liberdade do culto. Por mais que eu seja contrário à religião interferindo no Estado, existe uma parcela da população brasileira simpática à essa idéia. Basta ver a tal da “bancada evangélica”, que a cada ano vai angariando mais votos. Sendo assim, devo eu concordar com eles e seus métodos? Claro que não! Relembrando de Foucault e Nietzsche (para quem o Estado era o “monstro mais indiferente de todos os monstros”), e dentro dos estudos de Vernard Eller, o Estado não pode ser neutro, e qualquer que seja seu caráter, ele vai acabar sendo ditatorial (não, não acredito na falácia da democracia representativa) para com a minoria não governante (Bakunin que o diga!). Sendo assim, coloco-me em xeque: uma ditadura fundamentalista ou uma ditadura laica? Uma ditadura dos auto-proclamados cristãos que não passam de túmulos bonitos (Mt 23:27), ou de pessoas "iluminadas" pelo progresso científico, pela filosofia e pelo racionalismo? Nenhuma das duas, obrigado. Os dogmas, as inflexibilidades, o preconceito e o descaso estão presentes em ambos os lados, só mudam os termos. Cada um acha que é o portador da verdade, e não o são.


Compreendo e sou simpático àqueles que se sentem incomodados pela religiosidade exacerbada, assim como compreendo e sou simpático àqueles que creem em algo que está além de sua compreensão. Entretanto, como sempre, falta um diálogo claro e coerente. E pode parecer a primeira vista que os nossos amigos ateus estão mais perto disso, mas não estão. Parafraseando Karl Barth, o “titã” racionalista é mais perigoso, pois passa a falsa impressão de liberdade humana e livre pensamento, mas acaba desprezando uma racionalidade e espiritualidade diferenciada, que sofre o preconceito de ser “obscurantismo”.

O que sei nisso tudo, é que não se atinge a espiritualidade das pessoas através das esferas políticas, assim como não se convencem pessoas de seus erros chamando-as de “retrógradas, fundamentalistas e ignorantes”. O que falta nisso tudo, é o bom e velho Amor, ou mesmo um pouco de respeito e compreensão mútua.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Para não pensarem que desisti!

Deixo com vocês um trecho do livro Christian Anarchy, de Vernard Eller:

"'Existe, então, uma política cristã de paz válida?'
Essa pergunta é feita de maneira errada, então deve ser respondida com um não. Lembremos o quão inflexível Barth foi ao se colocar contrário a qualquer programa ou partido que levasse o adjetivo 'cristão', ou 'religioso', e que tentasse usar esse adjetivo como uma recomendação de sua verdade e superioridade. Programas políticos cristãos são tão impossíveis quanto fórmulas matemáticas cristãs ou receitas de bolo cristãs.
Vamos tentar de novo: 'Existe, então, uma política de paz válida, da qual cristãos possam participar conscientemente?'
Com certeza! Não há nem mesmo motivos para negar que pode ser a teologia cristã da paz que o leve a participar de algum esforço político. Porém, enquanto engajado neste esforço, o cristão é obrigado a participar como um simples cidadão (uma entidade política), não tomar posições enquanto cristão. Toda proposta feita precisa ser justificada no plano político, humanamente possível de se alcançar por meios particularmente humanos – não no plano de que Deus ordena e promete que fará. É a mesma coisa que um cristão que seja físico, mas ele mantém suas teorias físicas dentro dos limites humanos e não tenta melhorá-las recorrendo aos milagres de Deus. Os limites dos discurso devem ser respeitados: enquanto estiver fazendo teologia, deve-se falar de Deus; quando se fizer política, não se deve falar de Deus."

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Dando a César o que é de Deus

Ultimamente, tem rolado pela internet um vídeo do Pastor Paschoal Piragine, da 1° Igreja Batista de Curitiba. Eu, ao menos, recebi esse vídeo umas três vezes de três pessoas diferentes. Normalmente, costumo ignorar esse tipo de e-mail, mas esse eu acabei assistindo, e me levou à diferentes reflexões.

O Pr. Piragine vai fazer a sua reflexão em cima da iniqüidade, e vai falar sobre temas que “abalam” o mundo da cristandade igrejeira. Aborto, por exemplo. Aqui, cabe a opinião e a liberdade de pensamento de cada um, do que acha ou não acha dos temas “escancarados” no filme sensacionalista apresentado pelo Pastor (escancarados sim, com imagens chocantes e desnecessárias de fetos humanos mortos, para citar o mínimo).

Até aí, nenhuma novidade no discurso do Pastor, a não ser a partir do momento em que ele escolhe um alvo para demonizar. Alegando que faria algo que não fez em 30 anos de púlpito, ele dá nome aos bois. Elege o PT como o partido da iniqüidade, que levará adiante leis que amordaçarão a cristandade brasileira, e outras coisas do tipo. O que o leva a pensar que qualquer outro partido agirá de forma diferente?

Bom, fica claro que o Pastor Piragine não posiciona-se por qualquer outro partido, mas aí entra uma questão dialética. Se ele coloca um como “o demônio”, significa que para ele, outro partido seja “divino”, o salvador do mundo. O Pastor coloca nas mãos do Estado a função de combater a iniqüidade, relegando aos “representantes populares” a tal da moralização que ele acha necessária. Ou seja, está dando a César o que é de Deus.

Me entristece ver tal comentário feito num púlpito da Igreja Batista, igreja na qual comecei a minha vida cristã, pela qual tenho tanto carinho. Me entristece ainda mais que tenha sido ferido um dos princípios mais defendidos pelos Batistas no mundo – e enfatizado na Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira – a liberdade de consciência.

Isso me fez pensar em Karl Barth, quando estava na Alemanha e vê o Nacional Socialismo ascender ao poder, onde ele diz que tristemente vê “o seu querido povo alemão começar a adorar um falso deus”. Aqui, longe de querer fazer qualquer comparação histórica, vejo também com tristeza pastores que levam o meu querido povo cristão a adorarem falsos deuses.

Para aqueles que quiserem entender do que estou falando, segue abaixo o link do vídeo:


http://www.youtube.com/watch?v=ILwU5GhY9MI&feature=player_embedded